quarta-feira, 27 de abril de 2011

sAPOS SENTADOS
Sem imediatismos                                  Edmundo Teixeira


Nossa cultura, em quase tudo, enfatiza o imediatismo. Quando queremos uma coisa, geralmente a queremos para “ontem”.

Existem certos sinais, onde tudo acontece aparentemente de repente, mas olhando para trás muito tempo se levou de preparo psicológico para esse momento; existem os “milagres” (assim por nós decodificados, quando não entendemos certas leis cósmicas, que muitas vezes nos beneficiam), mas para que eles ocorram, muita oração dirigida e preparação espiritual houve.

Quando olhamos a leveza de uma bailarina, não percebemos tecnicamente o árduo esforço que é cada passo nem os anos incansáveis de exercícios pesados que ela fez; o mesmo se aplica a um quadro, a uma música e a qualquer espécie de talento.

Tudo requer tempo e habilidade.

Apressar os passos é possível, mas com firmeza, sabendo bem para aonde ir.

Olhando para si mesmo, para frente, para baixo e para o alto, para não haverem tropeços ou quedas que o poderiam levar de novo ao ponto de partida.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sAPOS SENTADOS
Recordações
 Postado por Igor Francisco – Blog Autor sem sobrenome



O ranger da porta antes inexistente, os móveis cobertos com lençóis brancos, havia esquecido do piano – nunca mais ouvi uma nota sequer.

Pó, os rostos valiosos esquecidos dentro dos porta-retratos de madeira.

Aos poucos reconheço alguns caminhos por onde passei, mas sei que alguns ainda fugirão de mim, afinal, sou uma velha novidade aqui.

A chave, quase não conseguiu abrir a porta...ferrugem.

Quando trancamos um pedaço do que um dia fomos nós, temos de destrancar um pedaço do que seremos.

Caso contrário, seremos esquecidos, e o pior, por nós mesmos.

- Acredito que é chegada a hora de abrir as janelas e deixar o coração bater novamente

quarta-feira, 6 de abril de 2011

sAPOS SENTADOS
A BARREIRA TRANSPARENTE                Edmundo Teixeira


A abelha voava nervosa por detrás da vidraça, em busca de saída. Imagino que ela isistia em sair pelo vidro porque ele é transparente e dá a ilusão de vazio, do nada, mostrando a paisagem lá fora.

Com um papel, forcei-a a ir descendo até a metade aberta da janela e então se foi, voando como uma flecha.

Muitas vezes agi como essa abelha, teimando em certas atitudes e decisões, porque me pareciam claríssimas. Depois é que eu vi que havia ali barreiras sutis. Nem tudo o que me parece obvio é “transparente” o é. Resisto às pessoas e situações que me forçam em outra direção e só mais tarde reconheço que foi para o meu bem: a saída certa do impasse.

Ou então o que me parecia evidente, tem uma falha sutil de que outras pessoas se valem, para invalidar meus direitos. Ao olhar em uma só direção, perdi outros enfoques.

Há sugestões e crenças que se assemelham aos vidros: mostram tudo nítido e claro lá fora, mas quando tento realizar o que desejo, vou com a cabeça na “barreira” camuflada, de meu próprio intimo que não vejo.

Seja menos resistente, menos imediatista, menos obstinado,para aprender ouvir o bom senso e sentir pela “brisa” de Deus,o lado realmente aberto da janela que Ele abre para o nosso bem.